Imperativo em espanhol: afirmativo, negativo e o vos de Buenos Aires
“Hablá más despacio, por favor.” “No me digas.” “Vení, sentate.” O imperativo é o modo que você usa para pedir, mandar, aconselhar e dar instruções, e é um dos primeiros assuntos que um brasileiro precisa dominar para sobreviver na rua. A boa notícia é que o português ajuda muito. A má é que o espanhol tem uma forma a mais (o vos, que se ouve em toda Buenos Aires) e um negativo que muda de regra. Este guia explica tudo com tabelas e frases reais.
O imperativo afirmativo do tú é igual à terceira pessoa do presente (“habla”, “come”, “escribe”). Com vos, tira-se o r do infinitivo e a força vai para a última sílaba (“hablá”, “comé”, “escribí”). Para usted, ustedes e nosotros, usa-se o presente do subjuntivo (“hable”, “hablen”, “hablemos”). No negativo, todas as pessoas usam o subjuntivo (“no hables”, “no hable”). O pronome vem colado depois do verbo no afirmativo (“decime”) e solto antes no negativo (“no me digas”).
Para que serve o imperativo em espanhol
Resumo: o imperativo serve para ordens, pedidos, conselhos, convites e instruções. Em Buenos Aires ele é normal e não soa grosseiro, desde que venha com tom amigável e um “por favor” quando a pessoa é desconhecida.
Você usa o imperativo o dia inteiro, em português, sem perceber: “me passa o sal”, “vem cá”, “olha só”, “não esquece”. Em espanhol é igual. Serve para pedir (“pasame el mate”), aconselhar (“probá las medialunas”), convidar (“vení con nosotros”) e dar instruções (“doble a la derecha”, “firme acá”).
Um detalhe cultural que ajuda: o argentino usa o imperativo com mais naturalidade do que o brasileiro costuma imaginar. “Decime”, “mirá”, “fijate”, “dale” aparecem em toda conversa e não são ordens secas, são marcadores de conversa. Com desconhecidos, como garçons e motoristas, a regra de ouro é a mesma do Brasil: imperativo mais “por favor” (“traeme la cuenta, por favor”) ou uma pergunta mais suave (“¿me traés la cuenta?”).
Para escolher a forma certa, você precisa responder a uma pergunta antes: com quem estou falando? Um amigo ou colega (tú ou vos), alguém a quem você trata com respeito (usted), um grupo (ustedes) ou você mesmo incluído no convite (nosotros: “vamos”, “comamos”).
Imperativo afirmativo: tú, vos, usted, nosotros e ustedes
Resumo: o afirmativo do tú vem da terceira pessoa do presente, o do vos vem do infinitivo sem o r com acento na última sílaba, e os outros três vêm do subjuntivo.
Veja os três grupos de verbos regulares lado a lado. A linha do vos é a que você vai ouvir em Buenos Aires e a do tú é a que aparece nos livros de espanhol do Brasil.
| Verbo | tú | vos (Argentina) | usted | nosotros | ustedes |
|---|---|---|---|---|---|
| hablar | habla | hablá | hable | hablemos | hablen |
| comer | come | comé | coma | comamos | coman |
| escribir | escribe | escribí | escriba | escribamos | escriban |
Tú. Pegue o presente de ele/ela: “él habla” vira “¡habla!”, “ella come” vira “¡come!”. Funciona como o “fala” e o “come” que você diz a um amigo no Brasil, e é por isso que essa forma é fácil para nós.
Vos. Pegue o infinitivo, tire o r final e ponha o acento na última sílaba: hablar vira “hablá”, comer vira “comé”, escribir vira “escribí”. Não existe irregularidade no vos para quase nenhum verbo, e os verbos que mudam o radical no tú (como “volver”, “pensar”, “pedir”) não mudam no vos: “volvé”, “pensá”, “pedí”. É uma das razões pelas quais muita gente acha o vos mais fácil que o tú.
Usted, ustedes e nosotros. Aqui vale o presente do subjuntivo: “hable usted”, “hablen ustedes”, “hablemos”. Para nosotros existe também o atalho “vamos a + infinitivo” (“vamos a comer”), muito mais comum na fala. Em português, o “você” também pede o subjuntivo no imperativo (“fale”, “coma”), então a lógica é a mesma que você já usa.
Vosotros. A forma “hablad, comed, escribid” existe só na Espanha. Na Argentina e em toda a América Latina, o grupo é sempre “ustedes”. Você pode ignorar o vosotros se o seu objetivo é Buenos Aires.
Imperativo negativo: tudo vem do subjuntivo
Resumo: no negativo não existe forma própria: todas as pessoas usam o presente do subjuntivo, inclusive o tú e o vos. Por isso “habla” vira “no hables”, e nunca “no habla”.
Esta é a regra que mais engana, porque no afirmativo o tú parece “ir sozinho” e no negativo ele muda de forma. Mas a regra é simples: “no” mais o presente do subjuntivo. O tú troca a vogal (hablar: a vira e; comer e escribir: e vira a): “no hables”, “no comas”, “no escribas”.
| Verbo | Afirmativo (tú) | Negativo (tú) | Afirmativo (usted) | Negativo (usted) |
|---|---|---|---|---|
| hablar | habla | no hables | hable | no hable |
| comer | come | no comas | coma | no coma |
| escribir | escribe | no escribas | escriba | no escriba |
| volver | vuelve | no vuelvas | vuelva | no vuelva |
Em Buenos Aires, o negativo do vos usa a mesma forma do tú: “no hables”, “no comas”, “no escribas”. Alguns falantes usam “no hablés”, mas a forma padrão e mais segura em Buenos Aires é “no hables”, a mesma do tú.
Compare com o português: “não fale”, “não coma”, “não escreva”. Em português o negativo é o mesmo subjuntivo do “você”. A diferença é que, em espanhol, essa regra vale também para o tú (e para o vos), então “não fala” nunca é correto no negativo: “no habla” significa “ele/ela não fala”, uma afirmação, não uma ordem.
Imperativos irregulares: os oito que todo mundo precisa saber
Resumo: oito verbos têm imperativo de tú irregular: di, haz, ve, pon, sal, sé, ten e ven. No vos esses verbos ficam quase regulares, o que simplifica muito a vida em Buenos Aires.
Decorar oito formas curtas resolve a maior parte do problema. Repare na coluna do vos: ela segue a regra do infinitivo sem r com acento (decí, hacé, poné, salí, tené, vení), com duas exceções para memorizar: “andá” (do verbo ir, no sentido de “vá”) e “sé” (do verbo ser, igual ao tú).
| Verbo | tú | vos | usted | ustedes |
|---|---|---|---|---|
| decir (dizer) | di | decí | diga | digan |
| hacer (fazer) | haz | hacé | haga | hagan |
| ir (ir) | ve | andá | vaya | vayan |
| poner (pôr) | pon | poné | ponga | pongan |
| salir (sair) | sal | salí | salga | salgan |
| ser (ser) | sé | sé | sea | sean |
| tener (ter) | ten | tené | tenga | tengan |
| venir (vir) | ven | vení | venga | vengan |
Para o usted e o ustedes, as formas vêm da primeira pessoa do presente com a vogal trocada: “tengo” vira “tenga”, “hago” vira “haga”, “digo” vira “diga”. É a mesma lógica do português: “tenho” vira “tenha”, “faço” vira “faça”, “digo” vira “diga”.
Atenção para o verbo ir. O tú usa “ve” (“¡ve a la farmacia!”), o vos usa “andá” (“¡andá a la farmacia!”) e o nosotros usa “vamos” (“¡vamos!”). No negativo, a forma é “no vayas”, “no vaya”, “no vayamos”, “no vayan”. Cuidado para não confundir “ve” (vá) com “ve” (ele vê, do verbo ver): o contexto resolve.
Pronomes junto ao imperativo: onde fica e quando levar acento
Resumo: no afirmativo o pronome vem colado depois do verbo (“decime”, “dámelo”); no negativo vem separado, antes do verbo (“no me lo digas”). Quando o verbo ganha uma sílaba a mais por causa do pronome, aparece o acento escrito.
No português do Brasil, a gente diz “me dá”, “me fala”, “me liga” com o pronome antes do verbo, mesmo no afirmativo. Em espanhol isso não existe: no afirmativo o pronome gruda no final.
- “Dame” (me dá), “decime” (me fala), “mirame” (me olha), “avisame” (me avisa). Aqui não precisa de acento, a palavra continua soando natural.
- “Dámelo” (me dá isso), “decímelo” (me diz isso), “pasámelo” (me passa isso). Dois pronomes, uma sílaba a mais, acento escrito na sílaba que já era forte.
- “Levantate” (vos) e “levántate” (tú): levantar-se. O acento do tú aparece porque o verbo ganhou o “te”.
- “Sentémonos” e “vámonos” no nosotros: o “s” final do verbo cai antes do “nos”.
No negativo, o pronome volta para antes do verbo e o acento desaparece: “no me lo digas”, “no te levantes”, “no se lo des”. Quem mistura essas duas regras escreve “no dímelo” no negativo, que é incorreto.
Para aprofundar esse tema, o guia de pronomes diretos e indiretos em espanhol mostra por que “le” vira “se” em “se lo dije” e como cada pronome funciona fora do imperativo. Já os verbos reflexivos têm a lista completa de imperativos como “lavate” e “acostate”.
Erros comuns de brasileiros no imperativo
Resumo: os erros mais frequentes são usar “no habla” em vez de “no hables”, esquecer de colar o pronome e confundir “andá” com “anda”. Quase todos vêm de aplicar a regra do português diretamente.
- “No habla” em vez de “no hables”. No português a ordem negativa e o subjuntivo se parecem, e a gente deixa passar. Em espanhol, a ordem negativa é sempre subjuntivo.
- Pronome antes do verbo no afirmativo. Em português é normal (“me liga”). Em espanhol: “llamame”.
- Esquecer o acento. “Dámelo” sem acento vira “damelo”, que o espanhol lê com a força na sílaba errada. Quando o verbo é esdrúxulo, o acento é obrigatório.
- Misturar tú e vos na mesma frase. “Vení, siéntate” mistura os dois. Escolha uma: “vení, sentate” (vos) ou “ven, siéntate” (tú).
- “Ve” no lugar de “andá”. Para mandar alguém ir a algum lugar, o tú usa “ve” e o vos usa “andá” (“andá a la farmacia”). Em Buenos Aires, “ve” soa de livro didático, e “anda” sem acento não é a forma do vos.
- Usar vosotros. “Hablad” soa de livro espanhol e causa estranhamento em Buenos Aires. Use “ustedes”.
Se você erra, tudo bem: o argentino entende e costuma corrigir com simpatia. O que não funciona é nunca arriscar, porque o imperativo é o modo da conversa viva.
O imperativo na rua em Buenos Aires: dez frases para ouvir e usar
Resumo: em Buenos Aires o imperativo com vos aparece o tempo todo em frases curtas e sociais: dale, mirá, fijate, pará, vení, decime, sentate, tomá, dejá e esperá.
Estas frases vão aparecer na sua primeira semana. Aprenda cada uma como bloco, junto com o contexto:
- Dale. “Beleza”, “bora”, “pode ser”. É o “ok” argentino, vem de “dar”.
- Mirá. “Olha”, usado para chamar atenção (“mirá, te cuento algo”).
- Fijate. “Veja”, “repare”, “dá uma olhada”, e também “imagina só”.
- Pará. “Pare”, “espera aí”, “calma” (de “parar”).
- Vení. “Vem”. Ao chamar alguém que está perto, “vení para acá”.
- Decime. “Me diga”, muito usado ao atender uma pessoa (“decime, ¿qué necesitás?”).
- Sentate. “Sente-se”. Quando o argentino recebe você em casa, é a primeira frase.
- Tomá. “Pegue”, “toma” ao entregar algo.
- Dejá. “Deixa”, muito usado como “deixa que eu pago” (“dejá, invito yo”).
- Esperá. “Espere”, “peraí”.
Para treinar a pronúncia desses verbos e ouvir o “sh” da calle e a entonação portenha, o material sobre sotaque argentino tem áudio. Para ampliar o repertório de expressões, veja o guia de gírias do espanhol argentino.
Seis imperativos para fixar agora
Resumo: o imperativo se grava por frases curtas e úteis, não por tabela. Toque na frase em espanhol e depois na tradução em português.
Continue estudando
Verbos regulares em espanhol
Presente, passado e futuro dos verbos em -ar, -er e -ir, com voseo.
Verbos irregulares em espanhol
Os padrões que explicam quase todos os irregulares, em vez de decorar um por um.
Negação em espanhol
Como dizer não, nunca, nada e ninguém sem soar seco.
Treine o imperativo agora, de graça
Resumo: imperativo se aprende falando e conferindo. O conjugador mostra tú e vos lado a lado, o banco de exercícios corrige na hora e o material de sotaque deixa você ouvir como soa em Buenos Aires.
Conjugador com voseo
Tú e vos lado a lado em todos os tempos, com áudio no sotaque de Buenos Aires.
Exercícios de espanhol
De A1 a B2, com correção na hora e a explicação de cada resposta.
Sotaque argentino
Como soam o “sh” de calle e o voseo, para o seu ouvido se acostumar.
Imperativo se aprende com correção ao vivo
Resumo: a diferença entre “no habla” e “no hables” some depressa quando alguém corrige a sua frase na hora, na conversa, e não depois no papel.
Curso intensivo de espanhol
Imersão em Buenos Aires, com a língua na rua e na sala todos os dias.
Aulas de espanhol em grupo
Ritmo constante, prática de conversa e correção durante a aula.
Curso de espanhol online
Aulas ao vivo em grupo ou particulares, no seu fuso horário.
Respondemos em minutos no horário comercial.
Perguntas frequentes
Como se forma o imperativo afirmativo do tú em espanhol?
Usa-se a forma da terceira pessoa do singular do presente: “habla”, “come”, “escribe”. Oito verbos têm forma irregular: di, haz, ve, pon, sal, sé, ten e ven.
O que muda no imperativo com vos?
Tira-se o r do infinitivo e a força vai para a última sílaba: “hablá”, “comé”, “escribí”. É a forma usada em Buenos Aires e quase não tem verbos irregulares.
Por que o imperativo negativo usa o subjuntivo?
Porque em espanhol não existe forma própria para a ordem negativa: todas as pessoas usam o presente do subjuntivo depois de “no”. Assim, “habla” vira “no hables”.
Quais são os imperativos irregulares de tú?
Decir (di), hacer (haz), ir (ve), poner (pon), salir (sal), ser (sé), tener (ten) e venir (ven). No vos, esses verbos seguem a regra regular, exceto “ir” (andá) e “ser” (sé).
Onde fica o pronome no imperativo?
No afirmativo, colado depois do verbo (“dime”, “decime”, “dámelo”), com acento escrito quando o verbo fica esdrúxulo. No negativo, separado e antes do verbo (“no me lo digas”).
Existe imperativo de vosotros na Argentina?
Não. A forma “hablad, comed, escribid” é da Espanha. Na Argentina, o plural é sempre “ustedes”: “hablen”, “coman”, “escriban”.
O imperativo é grosseiro em espanhol?
Não, é normal no dia a dia. Com desconhecidos, ajuda juntar “por favor” ou trocar por uma pergunta suave (“¿me traés la cuenta?”). Entre amigos, “decime” e “mirá” são marcadores de conversa.
Pratique o espanhol com um professor, de qualquer lugar
Aulas de espanhol online, ao vivo, em grupo: 2 dias de aula por semana (4 horas) por R$320 por semana. Se preferir, 1 dia por R$240 ou 3 dias por R$400. Você escolhe manhã, tarde ou noite no seu fuso horário, e a equipe confirma o horário exato em até 24 horas.
Falar no WhatsApp com a Vamos Ver curso intensivo
Respondemos em minutos no horário comercial. Sede em Maipú 464, 10º andar, no centro de Buenos Aires, escola argentina com mais de uma década recebendo brasileiros.